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Ética e o caso Goldman Sachs: uma derrota coletiva PDF
Ética
Written by Diógenes Lima Neto   

 “O Goldman Sachs reiteradamente colocou seus interesses acima de seus clientes”.  

        Esta frase dita por Carl Levin, presidente da Subcomissão Permanente de Investigação do Comitê de Segurança Nacional do Senado dos Estados Unidos, quando divulgou o resultado do banco de investimento na crise imobiliária, denota bem um dos principais motivadores desta crise financeira mundial: a absoluta falta de Ética.

       Sim, é bem verdade que muitos classificaram como “fruto da ganância” o desmantelamento do castelo de cartas financeiro em 2008, mas o fato indiscutível é que a própria ganância, em si, só chega aos níveis a que chegou se não houver sequer uma sombra de Ética.  Mas será que o banco Goldman Sachs está sozinho? Será que um “erro” deste tipo e destas dimensões se processam por “geração espontânea”? Evidentemente que não.

       Apostar contra seus próprios clientes traduz um contexto que, por certo, deve ser prática comum, posto que alguém só se daria ao luxo de perpetrar este tipo de ação se tivesse alguma certeza de impunidade. Certeza esta provavelmente dada pela conivência inescrupulosa da sua alta-direção, bem como por ser prática comum entre seus pares. Em todo caso, evidencia-se, mais uma vez, a total ausência de Ética nesse autêntico “jogo”. Mas onde, exatamente, faltou Ética? Segundo a Securities and Exchange Commission (SEC, na sigla em inglês, órgão equivalente à Comissão de Valores Mobiliários- CVM), o banco sabia do fracasso dos produtos vendidos caso a bolha imobiliária explodisse – o que de fato ocorreu, e esses papéis haviam sido criados por grupos que apostavam no fracasso deles.

       Além disso, sabe-se que um dos vice-presidentes do banco, Fabrice Tourre recebeu US$ 15 milhões de John Paulson para vender derivativos altamente complexos e que, segundo se apurou, já se sabia que iriam “afundar” junto com a bolha imobiliária que se aproximava.

       Aí perguntamos novamente: onde faltou Ética? Na sonegação de informações aos seus clientes, posto que todos os clientes, nesse sentido, são iguais e deveriam ter sido protegidos contra este tipo de evento. Em realidade, os clientes (investidores) colocavam dinheiro no Goldman exatamente para isso: trabalhar corretamente as informações e usá-las benefício dos próprios clientes. Também faltou Ética ao senhor Tourre, pois jamais deveria ter aceitado dinheiro para beneficiar um (ou alguns) clientes mais ricos em detrimento dos clientes mais modestos. Mas esta é a parte fácil de nossas considerações. Há perguntas bem mais complexas que também devem ser feitas e postas à baila. Por exemplo: onde estava o Conselho Diretor do próprio banco, que não percebeu esta operação? E as auditorias independentes que todo ano fiscalizam empresas das dimensões do Goldman Sachs? Afinal, é pouquíssimo provável que este tenha sido um fato isolado no tempo e no espaço. Nesta linha de raciocínio, cabe a mesmíssima pergunta à SEC: onde estava ela? 

       Sintomaticamente, Ética é um dos itens mais sérios e difíceis de serem alcançados no moderno conceito de Sustentabilidade. Não por acaso, justamente a falta dela praticamente derrubou todo o Mercado Financeiro mundial, com reflexos que ainda vão perdurar por vários anos. Veja-se o caso da Grécia, decorrência imediata de atitudes, mais uma vez, do Goldman Sachs.

       Decorrente disso, e com o pragmatismo que é peculiar aos norte-americanos, seu Senado aprovou uma reforma histórica na regulação do sistema seu financeiro, buscando maior robustez para se evitar o ressurgimento de uma crise financeira semelhante à de 2008.A legislação aprovada prevê, entre as principais medidas, a criação de um organismo de defesa do consumidor financeiro dentro do próprio Federal Reserve. A reforma pretende, ainda, criar um mecanismo de vigilância dos riscos financeiros para reduzir o índice de falências das grandes empresas. Buscou-se reforçar, no mesmo tom, a regulamentação dos derivativos e acabar com a comercialização de "swaps" - produtos de investimento utilizados para especular, consistindo em negociação ativos financeiros de alto risco.

       Enfim, como se observa pela prática, a falta de Ética nos negócios pode ser, efetivamente, altamente prejudicial às empresas, aos governos e às pessoas, em última análise. Não há vencedores num mercado sem Ética. 

Autor: Prof. M.Sc. Diógenes Lima NetoBrasília – DF – Brasil
Maio - 2010 

 

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